Porque a temperatura destrói uma massa lubrificante
Uma massa lubrificante não é um líquido: é um espessante que retém o óleo base na sua estrutura. O calor provoca dois fenómenos distintos. O primeiro é a fusão do espessante: ao atingir-se o ponto de gota, a massa perde a estrutura e o óleo separa-se. Sem estrutura não há película lubrificante. O segundo é a oxidação do óleo base: a alta temperatura, o óleo oxida-se, formando vernizes e depósitos duros que podem bloquear o rolamento.
O erro mais frequente é confundir o ponto de gota com a temperatura máxima de trabalho. Não são equivalentes. Como regra prática, a temperatura máxima operacional deve ser pelo menos 50 °C inferior ao ponto de gota do espessante.
Os quatro fatores de temperatura a definir
Antes de selecionar qualquer massa, há que caracterizar a aplicação com quatro dados de temperatura:
- Temperatura de operação contínua: aquela que o ponto de lubrificação suporta durante o funcionamento normal.
- Temperatura de pico: a temperatura máxima atingível em arranques, ciclos de carga elevada ou proximidade de fontes de calor.
- Temperatura ambiente mínima: crítica para arranques a frio. Uma massa que endurece em excesso pode impedir a rotação do rolamento.
- Ciclos térmicos: a repetição aquecimento-arrefecimento acelera a sangria do óleo e a degradação do espessante.
O espessante: o componente que mais limita a temperatura
O tipo de espessante determina o teto térmico da massa lubrificante. Eis o guia prático por espessante:
- Sabão de lítio: até 120-130 °C contínuos. O mais comum, económico e versátil para condições normais.
- Sabão de lítio complexo: até 160-180 °C contínuos (ponto de gota >260 °C). A evolução natural do lítio para aplicações mais exigentes.
- Poliureia: até 180-200 °C. Excelente para rolamentos selados para a vida útil e motores elétricos.
- Sabão de cálcio complexo: até 150-160 °C com resistência à água superior à do lítio.
- Bentonite (argila): sem ponto de gota definido. Válida até 280-300 °C. A única opção para fornos industriais e correntes na siderurgia.
Regra de ouro: se a temperatura de operação ultrapassa os 130 °C de forma contínua, o lítio convencional não é suficiente. É necessário passar a lítio complexo, poliureia ou bentonite.
A base lubrificante e o seu papel na estabilidade térmica
O óleo base que o espessante retém também é relevante. Uma massa de lítio complexo com base mineral de baixo índice de viscosidade terá pior comportamento a alta temperatura do que a mesma massa formulada com PAO (polialfaolefina) ou éster sintético.
A base PAO oferece um índice de viscosidade superior a 140, mantém a viscosidade muito mais estável com a temperatura e resiste melhor à oxidação. Para aplicações com temperatura superior a 150 °C de forma contínua, a base sintética não é um luxo: é um requisito técnico.
O grau NLGI: como a temperatura afeta a consistência
A temperatura elevada, uma massa amolece. A baixa temperatura, endurece. Uma massa NLGI 2 pode comportar-se como NLGI 1 a 80 °C, dificultando a retenção em guias verticais. Em frio extremo, pode comportar-se como NLGI 3, bloqueando o rolamento no arranque.
Em aplicações com ciclos térmicos amplos (-20 °C a +150 °C), a seleção do grau NLGI deve ter em conta o intervalo completo, e não apenas a temperatura de operação nominal.
Não existe uma massa lubrificante para tudo. A combinação espessante + base + grau NLGI deve ser avaliada face aos quatro parâmetros de temperatura da sua aplicação. Em caso de dúvida, uma análise de óleo no ponto de lubrificação após 500 horas de operação revelará se a massa se está a degradar antes da falha do rolamento. Na LUBESOLUT efetuamos esta seleção gratuitamente no âmbito do nosso processo de aconselhamento técnico.
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